Porque o essencial é invisível aos olhos.

Estranho, Improvável, Incomum? Não, um lugar para o sonho pagão . . .
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26 outubro 2008

Cinco Elementos

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"Água, meu sangue..."



Nos mares, nos rios, nas corredeiras, nas cachoeiras, nas nossas veias...



Correm fluídos de vida e de força. A Água é a Senhora das emoções. Através dela todo nosso corpo libera os medos, as tristezas e as alegrias. Ela é responsável por purificar os corpos e é também o sêmen do homem quando cai sobre a terra fertilizando-a . A água é a força escorrendo pela terra... e por nossos corpos. Sem ela não sobreviveremos, sem ela não teremos vida.

Os estudos esotéricos identificam um Ser que habita as águas e promove suas bênçãos para o Universo. Os elementais da água são as Ondinas.

Os Xamãs utilizam a água em rituais de purificação e renovação do ser interior. Os lugares mais adequados são os fluxos naturais de água, pois guardam a força viva da natureza em si.




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"Terra, meu corpo..."



Nos campos, nas florestas, nas montanhas, no nosso corpo...



Sentimos a força da Mãe Terra. Nela reside a força que nos nutre e alimenta para a vida. A terra possui tudo que o homem precisa para viver e é neste ensinamento, muito simples, que os Xamãs descobriram onde residem suas riquezas... é naterra, é no nosso corpo, Templo Sagrado, lugar onde reside também o nosso ser superior, nossa consciência do cosmo.

A terra é solicitada nos rituais onde é necessário buscar a força da vida, da encarnação. O homem vive, muitas vezes, fugindo de seus fantasmas e dos seus abismos e por isso não consegue viver plenamente sua vida. Os Xamãs, nos processos de cura, buscam a ajuda da terra para curar aquele ser "doente", sem vida, apático, sem estímulos para viver ou simplesmente alheioao mundo que o cerca. O Xamanismo busca essencialmente o encontro do homemcom o seu propósito na vida e assim o despertar para algo além do mundo material. Os elementais da terra são os Gnomos




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"Fogo, meu espírito..."



No Sol, nas estrelas, nas fogueiras ou nas brasas, no nosso coração...



Sentimos a luz da vida. O fogo é o elemento das transmutações, das transformações. Sua força luminosa indica o caminho que deve ser seguido por aquele que conhece os ensinamentos do Universo. O fogo é a chama que, acesa dentro de nós, faz brilhar nossa aura e nossos olhos, revelando a força de nosso espírito. Ele conduz-nos à sabedoria interior de cada um.

Os Xamãs pedem ajuda ao Avô Fogo, como é chamado pelos índios, quando é hora de trabalhar as mudanças. O fogo auxilia no processo de limpeza também, o velho cedendo lugar ao novo. A Sauna Sagrada é um dos lugares usados, pelos Xamãs, nos processos de cura pelo fogo. Os elementais do fogo são as Salamandras



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"Ar, meu sopro..."



Nos ventos, nas brisas, na nossa respiração...



Sentimos o sopro de vida vindo do Universo. O ar é um fio condutor que nos une ao Grande Pai e a

Grande Mãe. Ao nascer, nós iniciamos este ritual da respiração: inspirar e expirar, onde a vida e a morte se encontram continuamente, ensinando-nos a lição mais importante no ato de viver que é compreender a própria morte como parte inseparável da vida.

Os Xamãs pedem ajuda ao ar, quando é preciso reaprender a respirar, a viver. O ar auxilia o curador quando alguém precisa muito se dar conta da sua vida (encarnação) e da sua morte (transmutação), do inspirar (ganhar vida) e do expirar (doar vida). Os elementais do ar são os Silfos.



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(desconheço a autoria)



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A Canção dos Elfos





Canção dos Elfos
Goethe
(trad. Paulo Quintela)

À meia-noite, quando já os homens dormem,
É então para nós que a lua brilha,
Que para nós a estrela começa a cintilar;
Vagueamos e cantamos
E é então que gostamos de dançar.

À meia-noite, quando já os homens dormem,
Sobre prados, junto aos alnos,
Buscamos o nosso lugar,
Vagueamos e cantamos
E dançamos um sonho de luar.





Elfos


Elfos

Entre o matagal de fetos, escuro e fundo,
Encontrei uma dama não deste mundo.
Coberta com uma teia de flores e seda,
As horas deixava passar, queda,
Esperando pela noite.

No musgo verde e macio deitada,
Com uma criança perto de si embrulhada.
De pele tão alva e cabelo tão negro,
Via o crepúsculo, em sossego,
Esperando que fosse noite.

Em silêncio, sentei-me a seu lado,
Com o cérebro confuso e espantado,
À espera que a palavra me surgisse.
"És muito gentil", a dama então disse,
"Por esperares comigo até ser noite."

Perguntei à dama: "Estais perdida?
É este escuro matagal que vos dá guarida?
Virão outros , quando a estrela e a Lua brilhar?"
Ela apenas sorriu e pôs-se a cantar
Para o elfo criança.

A criança dormia. A dama começou a cantar
A magia profunda da Terra e do Mar.
Sussurrou velhos e poderosos encantamentos.
"Usa-os bem", disse. "Sê corajoso
Quando na noite os evocares."

"Posso experimentá-los?" A dama sorriu,
Abraçando a criança.
"Sim", respondeu" "é uma dádiva que te faço
Por teres esperado comigo que a Lua
Surgisse no céu."

Pensativo, a seu lado fiquei a vigiar.
Então, ouvi o cavaleiro chegar
Pelo escuro matagal, à desfilada.
"Estais aí, minha dama amada?"
Chamou uma voz de elfo.

Um cavaleiro elfo, de capa encarnada,
Armado de punhal e espada acerada,
Conduzia o cavalo pela mata a direito.
O coração começou a abater-me no peito
Quando vi a escuridão dos seus olhos.

O crepúsculo caíra, nenhuma ave cantava.
A Lua sobre a colina espreitava.
De repente, senti-me só.
"Não tenhas medo, pois boa amizade
Semeaste."

A dama ergueu a mão delicada.
Uma fita prateada
Brilhou ao luar na sua tez.
"Não lhe dais um dom pelo que fez?"
Perguntou ao seu senhor.

"Pois este é um corajoso guarda, um amigo."
"Mas o homem sempre foi nosso inimigo",
Respondeu o cavaleiro elfo. "Não é tal,
Disse ela, "pois guardou-nos neste matagal."
Ele sorriu.

"Então, alguns há que nos querem bem."
A sua voz era um trovão do além.
Tirou um anel do dedo.
"Isto ligar-te-á em segredo
À terra e à magia."

Tal como a Lua, a sua pedra era fria.
O ar estava cheio de uma estranha melodia
Quando a dama e o cavaleiro montaram
E no escuro matagal se embrenharam.
Fiquei sozinho.

Dizem que os elfos não são daqui.
Mas eu as suas lindas vozes ouvi,
Naqueles maravilhosos momentos.
E aprendi mágicos encantamentos
Com a dama.

O anel com o poder que encerra
Vai ajudar-me com a magia da terra.
Às vezes falamos em tom profundo
No matagal de fetos, escuro e fundo,
Em segredo.

Será magia? Para mim, não há duvida.
Pois quando o sol desaparecer, devagar,
Sinto o poder da Terra no meu coração
E sei que em mim sempre ficarão
O cavaleiro e a dama.


por D. J. Conway

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